Pensando bem os terminais do Transcol – sistema de transporte coletivo da Grande Vitória que conta com 9 terminais em 3 municípios interligando-os. Paga-se apenas uma passagem e anda-se a vontade!!! – são grandes geradores de tendências. Quem anda no terminal – e olha pra os lados, claro - consegue perceber os modismos daquele lugar.
Eu mesma já lancei duas modas: ir pro trabalho de chinelo ou de tênis com o sapato dentro da bolsa e ler um livro enquanto estou na fila esperando ônibus. A leitura era apenas de jornais e as pessoas ficavam olhando pra o tempo… hoje tem um monte de gente com livro na mão! Bacana.
Mas voltemos. Aquele é um rico lugar pra observar o comportamento das pessoas. As pessoas normalmente pegam o ônibus no mesmo horário diariamente. Então não é incomum ver amizades que foram feitas por lá. Sim, amizades, com direito a amigo x no final do ano e bolo de aniversário.
Outra coisa mundo comum é a quantidade de coisas que as pessoas vendem lá dentro. Não estou falando das lanchonetes, das barraquinhas que vendem um monte de quinquilharias. Estou falando de Natura, Avon, Forever, Herbalife, Racco, Jequiti, bijoteria, sapato, bolsa, e mais um sem número de coisas que nem consigo enumerar. Quase um mercado persa! Precisando de consultoras Natura ou Avon!? Muito fácil. É só dar uma chegadinha no terminal logo pela manhã que é batata!
Uma coisa que eu estranhava mas que tem um público fiel é o salgado frito logo às 7h da matina. Menina, a gente chega lá cedo tá aquele cheirão de fritura. Aí eu pensava: Jesus, quem tem estômago pra comer essas coisas logo pela manhã!? Mas olha, é saída garantida. O povo come que é uma beleza: coxinha, quibe, enroladinho de salsicha, pastel, pastel de vento, caldo de cana, refrigerante… é um banquete!
Ah… tem o cafezinho. Esse é sagrado. Por uma bagatela de R$ 0,30 você toma uma cafezinho especial. Num copinho maiorzinho de café. Uma coisa fina. E olha, tem disputa entre as lanchonetes para oferecer o melhor café. Tem uma moça que pega ônibus comigo diariamente que não toma o café da lanchonete que fica na frente da nossa fila não. Ela vai na última lanchonete do terminal pra tomar seu cafezinho matinal. Isso mesmo. Se é pra tomar o primeiro café do dia, que seja o melhor!!
Outra tendência fortíssima é o celular com rádio. Super tendência. Aliás é o último grito em Paris. E olha, não é celular pereba não. É coisa fina, minha querida. Um mais poderoso que o outro. Eu escondo o meu, porque me sinto humilhada.
E outra. Tem uma outra tendência fortíssima. O funk ouvido em alto e bom som sem fone de ouvido. Mas ontem o trocador do meu ônibus da volta – um senhor baixinho e magrelo, de bigode e cabelo bagunçado – estava ouvindo nada mais nada menos do que U2. Tá vendo. Eu tenho ainda esperança nas pessoas!
Tem uma muito boa de terminal e de ônibus e acho que não sou a precursora, mas sou a mais cara dura. Prestar atenção na conversa dos outros. Fato! Adoro e me divirto. A gente sabe da vida de todo mundo: do patrão ao cachorro.
Se você tem uma empregada doméstica em casa, minha filha, seu nome tá na boca do povo nos terminais e dentro dos ônibus. Sei tudo o que tem na sua casa, sei que você acorda tarde e seu filho é um relaxado que não gosta de tomar banho…. huahauhauha
Amada. Tem que andar na linha porque comentou alguma coisa com certeza vai ser malhado no terminal.
Ah, você falou com ela que não queria que nada saísse da sua casa!? Ixi, minha filha. Se você não estiver no terminal para se defender, seu nome já tá na “boca de Matilde”. E confesso. Tô até com raiva de você!!! hauhauhauhauah
Essa é só a prévia do que acontece nos terminais… mas tem muito mais… conto em outros episódios.
Beijos
Ju
